...

Quarta-feira, Março 21, 2007

 
Continuação aqui. Até já.

Sexta-feira, Março 16, 2007

 
FEELS LIKE TIME WE CLOSE THE ROOM


Quinta-feira, Março 15, 2007

 

Terça-feira, Março 13, 2007

 
LEARNING TO COPE


Segunda-feira, Março 12, 2007

 
FIM DE SÉCULO


Quinta-feira, Março 08, 2007

 
Miss Tapes
#23




.André Herman Dune - Smalltown boy
.Seekers Who Are Lovers - Cereza
.Godsy - Wounding tricks
.David Axelrod - The human abstract
.Brian Eno - On some faraway beach
.Psychic TV - Just drifting
.Beach House - Master of none
.Suicide - Keep your dreams
.Mantus - Can’t you feel it?
.Bob Lind - Cool summer
.Yoko Ono with Porcupine Tree - Death of Samantha
.Thievery Corporation with The Flaming Lips - Marching the hate machines (into the sun)

Para ouvir.
Para guardar.

 
ENFIM DIREITO A DIZER ADEUS A TUDO

Na próxima Miss Tape está um tema ouvido pela primeira vez num Verão passado, aqui. Fala de praias longínquas. Sobre a próxima cassete só quero acrescentar que contém mais um tema que DJ Shadow utilizou para retirar samples com os quais fez a obra-prima chamada “Endtroducing”. Será o terceiro desses temas a aparecer nas Miss Tapes, e não será o último.
Por fim, chamo a atenção para a foto escolhida. O autor chama-se Paulo Nozolino, é português e as suas fotos não se parecem com as de nenhum outro fotógrafo. São dele, por exemplo, quase todas as fotos de Al Berto que serviram de capa aos livros do escritor. Recentemente, e em boa hora, vieram-me parar às mãos fotos que Nozolino fez aqui em Macau, acompanhadas de um texto de Antoine Volodine.
Fotos e texto são como aparições, tudo de uma beleza impossível.

Deixo aqui alguns pedaços do texto, que certamente tocarão quem conhece (e ama) Macau. Aos outros desejo o mesmo.


"De Hong Kong chega-se pelo mar, ébrio de emoção perante a paisagem, perante essa experiência de beleza pura, de esplendor simples, durante uma hora deslizou-se entre ilhotas desertas e uma costa deserta, inundadas de luz, peladas, desprovidas de árvores, aflorou-se sem parar uma superfície onde nada ondula, de um verde de jade escuro, onde as traineiras encontradas arvoram bandeiras vermelhas e se balançam como juncos. Mais a sul, como nos livros, há piratas: de vez em quando, nessas ondas calmas desenrolam-se carnificinas de Kalachnikov, de sabre em punho. O sol cintila e, durante oito em cada doze meses, para lá dos vidros do hidrofoil gelado, o calor vibra. Hidrofoil ou jetfoil, turbocat, ou turbojet, pouco importa a denominação exacta. Lá dentro, o ar é glacial e, cá fora, o calor vibra.

Chega-se pelo mar a Macau, e, na humidade abrasadora que logo asfixia, sente-se que se tem enfim direito a dizer adeus a tudo, a viver noutro lado, direito a flutuar de novo em exotismo e como se fora para sempre, ou seja, pelo menos até ao dia último. Eis o que se sente: está-se em terra de abrigo. A impressão é imediata e muito forte. Está-se ali, ali onde ir era preciso, o bom lugar, o lugar de exílio ideal. Tu verás. É impossível não seres sensível a isto, pois também tu partes para nunca mais voltar. Acabou-se de apresentar o passaporte a raparigas novas de uniforme e que têm tanta majestade como divindades ou actrizes, e, na realidade, ancora-se na enseada onde se conta declinar e morrer. Sem dor se fez já a passagem de armas e bagagens para terra chinesa profunda. Tu verás. E também tu te sentirás fantasticamente à vontade, desde o primeiro minuto, como para a última viagem.

Não te preocupes se o espaço a explorar é doravante muito escasso. O prazer da descoberta só de ti depende. Transportas em ti mesmo fotogramas mágicos capazes de alimentar o teu sonhar chinês até à morte e mesmo para lá dela; lembras-te das aventuras que a ti mesmo contaste antes da viagem, sabes caminhar nas ruas como por entre páginas de um livro; e, para todos os efeitos, a tua indulgência de apaixonado é suficientemente forte para destilar a cada instante novas razões para continuar a amar.
Depressa verás de que se vai construir a tua ternura para com Macau. Segue as ruelas escuras, as passagens sórdidas, caminha ao longo das construções em tiljolo negro do porto interior, ao longo da miséria em ruínas da cidade chinesa de há um século, dos prédios de janelas reforçadas com grades de protecção contra os ladrões. O teu afecto será logo de amigo. A tua nostalgia do presente será logo cúmplice.

Ela florescerá nos restaurantes de vinte patacas onde se penduram minúsculas porções de tripas estranhas, deslizará nas traseiras das cozinhas onde se grelham línguas de pato, ou no interior dos templos sombrios, cheios de fumo, ao pé dos guardas dos templos e ao pé de adivinhos que dormitam entre garrafas de óleo, caixotes e espirais de incenso, nada perturbados com a gritaria do televisor ligado no máximo. Como eu, serás parcial, cativo, por toda a parte te sentirás de humor benevolente. Não negarás nenhuma paisagem, e, à força de deambular na banal trapalhada urbana, começarás a encontrar-lhe uma certa graça. Sem rancor, andarás entre barras de prédios de uma feiura indesculpável, sem qualquer raiva te passearás nas margens desfiguradas onde já ninguém se passeia. E para acabar, acabarás por ver traços de cultura chinesa e traços de memória debaixo das arcadas dos arranha-céus novos, financiados por especuladores imprevidentes, debaixo do desastre de todas essas vastas casas hoje desabitadas, condenadas aos fantasmas e ao silêncio."

A. V.

Sábado, Março 03, 2007

 
PASSADO

Um homem, uma mulher, a memória e o esquecimento. L'année dernière à Marienbad, de Alain Resnais, com Giorgio Albertazzi e Delphine Seyrig.




Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007

 
GOD HAS MADE YOU ONE FACE


Terça-feira, Fevereiro 27, 2007

 
A partir de hoje, as Miss Tapes passam a estar arrumadas também aqui.

Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007

 


A propósito da canção "Love calls you by your name", cuja belíssima letra reproduzi, o Francisco escreveu este comentário, que deve ser resgatado ao obscurantismo de uma "janela pop-up".

Este tema do Cohen tem, para mim, um enorme significado e carga simbólica.
Na última edição do lendário programa de rádio "Em Órbita", passaram-se 2 horas só com música clássica (algo fúnebre) e um único tema de música popular contemporânea. Este.
Eu era um adolescente absolutamente fascinado pelo "Em Órbita". Ouvi o último, sózinho, sentado na cama do meu quarto, mais uma vez órfão. Quando, no meio daquele peso enorme que os sons escolhidos estavam a criar, subiu a voz do Cohen " You thought that it could never happen ...", acho que entrei num pranto incontido. Depois veio a voz do Cândido Mota ler um texto mais ou menos assim " Só pode haver ressurreições depois de mortes ambiciosas ...". Não sei se isto está gravado, mas foi dos momentos mais belos da Rádio em Portugal. Aprendi, num pequeno momento de rádio, o verdadeiro significado da esperança. Algo de inabdicável a que se deve chamar fé.

Arquivos

Junho 2006   Julho 2006   Setembro 2006   Outubro 2006   Novembro 2006   Dezembro 2006   Janeiro 2007   Fevereiro 2007   Março 2007  

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Subscrever Mensagens [Atom]